domingo, 20 de novembro de 2016

Grito



Imperial, tremoços
Prato, copo, guarda-sol
Mesa e cadeiras de esplanada
Tanta calçada percorrida.
Branco, azul, luz, entardecer
Esta ilusão dolorida
De ter por vida
Os corpos onde me afundo
Tem de morrer
Antes que morra a sede em mim
Neste verão.
Tanta tarde, tanta noite
Desolada
Que eu afogo com cerveja
Na esplanada
Será do sol que a dor
Nos olhos chega?
Será de amor
A que sinto
E que me cega?
A espuma da cerveja
Já desceu
Está morta a imperial.
Bebam-me todos!
Enquanto eu desço
Para o fundo
Dos corpos em que me afundo
Para quem,sou menos que a urina que mijais
Sou a menor palavra que falais
Sou a espuma da cerveja
Que morreu.

Paço d´Arcos 14.7.2014

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