sábado, 10 de dezembro de 2016

eu a saber que era a hora

A morte chegou e disse:
Chegou a hora.
Está na hora de ires embora!
Eu????
Não posso ir agora!... não vês?!
Tenho papéis para arrumar…
Tanta coisa para fazer

 (Estava chegando a hora)

Eu não posso ainda
Ir embora
Vês?!
Nem sempre quando
chega a hora
nos podemos ir embora
Pomos a hora à espera?

 A morte a querer ir-se embora
E eu pensando a galope.

 ( eu a saber que era a hora)

Atrasei-me.
Vai-te embora!
Olho o relógio outra vez
( eu a saber que era a hora)
Ponho tino nos ponteiros
Pego a hora, mudo a hora,
Mudo a hora, paro o tempo
Já não tenho de ir agora.

Já tenho tempo, não vês?
Ainda não chegou a hora.
Morte, podes-te ir embora!
Já tenho tempo outra vez…

Tanta coisa por fazer


( e eu a saber que era a hora)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

o baile

Quando as palavras
bailam 
dançarinas
nas lentes dos meus óculos, 
e espreitam
e sorriem, enganando-me nas voltas
convidando-me a dançar
à volta da cabeça
entontecendo-me
se emaranhando nos cabelos
que teimo em alisar.
Quando assim surgem,
tapando a pouca luz do fim do dia
e se arremessam de jacto no papel
não posso fazer mais do que escrevê-las.
Pois escrevendo-as,
posso voltar a ser como me desenho.
E me espelho.