terça-feira, 8 de março de 2016

um nome bonito



Nunca a levaram ao baptismo pois matara a mãe ao nascer e Cadelóide era como o pai lhe chamava quando precisava dela e precisava dela muitas vezes.  Sempre que queria comer ou queria descalçar as botas ou mudar de roupa, sempre que era preciso fazer o lume, lá estava ele aos berros Cadelóide oh Cadelóide, onde andas tu rapariga que está tudo por fazer?! Não lhe batia pois a terra era pequena e os vizinhos podiam fazer queixa à Guarda mas nunca lhe fizera um afago, que carinhos amolecem já dizia a sua avó! À cadela da casa o homem chamava Sofia. Anda cá Sofia, minha linda!
Naquela terra havia também uma cabra a quem o dono chamava Mulher. E a cabra conhecia bem a sua voz. Não sabemos se sempre que balia, se dizia mal do homem ou do nome que este lhe pôs ou era porque gostava. Noutro pasto tinha uma vaca chamada Clarinha. Já estava a pensar no nome que ia dar ao bezerro que estava quase a parir. Só os gatos não tinham nome. Eram só gatos e mais nada.
Só Cadelóide tinha em segredo um nome para cada um. Um dia fugiu para a cidade escondida num barco e quando lá chegou foi logo tratar de mudar de nome. Como se vai chamar? Perguntou-lhe o senhor do registo. Um nome bonito como toda a gente deve ter, ora essa!


Sines, 8-3-2016