Nunca a levaram ao baptismo pois matara a mãe ao nascer e
Cadelóide era como o pai lhe chamava quando precisava dela e precisava dela
muitas vezes. Sempre que queria comer ou
queria descalçar as botas ou mudar de roupa, sempre que era preciso fazer o
lume, lá estava ele aos berros Cadelóide oh Cadelóide, onde andas tu rapariga
que está tudo por fazer?! Não lhe batia pois a terra era pequena e os vizinhos
podiam fazer queixa à Guarda mas nunca lhe fizera um afago, que carinhos
amolecem já dizia a sua avó! À cadela da casa o homem chamava Sofia. Anda cá Sofia,
minha linda!
Naquela terra havia também uma cabra a quem o dono chamava
Mulher. E a cabra conhecia bem a sua voz. Não sabemos se sempre que balia, se
dizia mal do homem ou do nome que este lhe pôs ou era porque gostava. Noutro
pasto tinha uma vaca chamada Clarinha. Já estava a pensar no nome que ia dar ao
bezerro que estava quase a parir. Só os gatos não tinham nome. Eram só gatos e
mais nada.
Só Cadelóide tinha em segredo um nome para cada um. Um dia
fugiu para a cidade escondida num barco e quando lá chegou foi logo tratar de
mudar de nome. Como se vai chamar? Perguntou-lhe o senhor do registo. Um nome
bonito como toda a gente deve ter, ora essa!
Sines, 8-3-2016